ELE
Era incrível como o abraço dele me aninhava e me confortava... Há tempos que eu não ficava tão segura, mesmo sabendo que talvez fosse a última vez.
As mãos dele pareciam o tamanho exato da minha cintura, que quando ele pegava, ele me tinha nas mãos.
Eu nunca vou esquecer o modo como ele me olhava, com amor e tristeza, pelos destinos que a gente andou e, sem querer, caímos. Caímos fundo e saímos de rota. Saímos de órbita.
Era praticamente instintivo beijar, agarrar, amar. Tão natural, e agora tão proibido que dava pra segurar a estranheza entre nós e sentir o quão era pesada.

O que era aquilo tudo? O que estávamos fazendo? Era tanto sentimento que eu me sentia à 120km/h, prestes a me bater em um muro. Quem me dera qualquer coisa me levasse pra qualquer canto. Qualquer coisa de esquecer, qualquer coisa de terminar de verdade com aquilo tudo e não somente da boca pra fora, como acontece em todos os fins, quando a gente repete coisas que não acreditamos, quando a gente dá por certo que estamos fazendo o certo quando algo nos diz que tem alguma coisa errada, que aquilo é a pior coisa que estamos fazendo da nossa vida. Maldita razão que a gente, por ser humano, grita mais alto do que o que sentimos. Deveria ser pecado, contra leis da física, qualquer coisa que fizesse essas duas falarem coisas totalmente opostas. Chega a ser covardia que a gente sempre dê razão à razão.

E o que são os fins senão covardes? Você caminha tanto, constrói... E de repente ele interrompe seu caminho, seus planos... tudo que você ainda ia trilhar, termina antes de começar. E você é obrigado a procurar outro lugar pra ir, antes mesmo de chegar aonde quer que você esteja indo.

Parecia uma morte, como se todos os beijos, abraços, risos, viagens, confidências, sonhos, planos, lágrimas, momentos, piadas, caretas, insanidades, bobagens, filmes, músicas passassem por um segundo. O problema é que a gente só morre uma vez, e isso passou no mínimo infinitas vezes já por mim, que eu poderia jurar saber de cor por ter já assistido várias vezes, e não por ter vivido tudo isso intensamente. Mas eu sei, porque vivi intensamente mesmo. Foi muito tempo de intenso, que só pode acabar se for assim: de maneira brusca e abrupta... Que a gente se viu obrigado a matar querendo ainda viver.

Era feliz mas era triste e era triste porque era feliz. Precisava ser assim tão feliz pra ser mais triste ainda? Tinha necessidade de ser tão triste que beirasse o ímpeto de largar tudo pro alto e ser feliz?

Transformamos os sonhos em realmente só sonhos.
E tudo acabou. Ou pelo menos a gente quer se esforçar para acreditar que sim.
E no fim, ao dizer adeus, o mais doloroso: a certeza de que jamais conseguiríamos dar um ponto final.
Simplesmente escreveríamos nossa história, agora, cada um ao seu modo, sem parcerias. Mas sendo eternamente personagens da história um do outro.

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